Acusação de racismo deixa ânimos exaltados
Da Toca II
João Marcos Dias
O bom futebol apresentado pelas equipes na vitória por 3 x 1 do Cruzeiro sobre o Grêmio, na quarta-feira, dividiu as manchetes desta quinta-feira com um episódio lamentável no Mineirão. O volante celeste Elicarlos acusou o atacante argentino Maxi López de crime de preconceito racial e prestou queixa na delegacia do estádio, onde ambos depuseram.
Por volta dos 25 min do primeiro tempo, com a bola em jogo, chamou a atenção uma áspera discussão entre Elicarlos e Maxi López. O armador Wagner interveio e também gritou com o argentino, até o zagueiro Leonardo Silva chegar para apartar.
Já no intervalo, Elicarlos deu entrevistas sobre o ocorrido, dizendo que discutiu por ter sido chamado de "macaco" pelo argentino. Sentindo-se ofendido, ele disse que prestaria queixa.
"No primeiro tempo, no meio-de-campo, a gente fez uma falta em cima do Tcheco e o atacante deles chegou para mim e me chamou de macaco. Foi alto, o Wagner ouviu e foi para cima dele, dizendo que não era para falar, e ele ainda começou a querer brigar com a gente. Sem dúvida tenho que denunciar, senão vai virar palhaçada", relatou.
Maxi também foi entrevistado e evitou falar sobre o ocorrido. "Tranqüilo, estamos jogando. Ele está jogando por seu time, eu estou jogando pelo meu e está falando um monte de coisa. Agora temos que jogar 90 minutos ali", afirmou.
Elicarlos prestou queixa e, após muita negociação com a polícia, a delegação inteira do Grêmio deixou o ônibus, rumo à delegacia do Mineirão. Lá, o exaltado Paulo Autuori, ex-treinador do Cruzeiro, gritava em tom de ameaça, para quem quisesse ouvir, que o time celeste encontraria clima de guerra "assim que pisasse em Porto Alegre" para o jogo de volta na próxima quinta-feira.
A delegada de polícia Roseli Baeta Neves chegou a dar voz de prisão a Autuori, mas a situação foi contornada e o pedido, relaxado.
"O técnico do Grêmio se exaltou de alguma forma, mas a delegada Roseli, que estava comigo no momento, preferiu por relevar no sentido de entender como mero desabafo, que não configuraria infração penal", relatou o delegado de polícia Daniel Barcelos.
Depois de cada um relatar sua versão do ocorrido, por volta das 2h desta quinta-feira Elicarlos e a delegação do Grêmio deixaram o Mineirão. Barcelos explica que, daqui por diante, a investigação do ocorrido ficará a cargo da delegacia da área.
"Esse procedimento será encaminhado à delegacia da área, que certamente instaurará um inquérito policial para investigar se realmente houve esse crime de injúria qualificada e concluir essa investigação, encaminhando à Justiça", afirmou o delegado.
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