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08/12/2016 13:39

Em Minas, o primeiro! Conquista da Taça Brasil completa 50 anos

Em Minas, o primeiro! Conquista da Taça Brasil completa 50 anos


Foto: O Cruzeiro / Acervo EM

Da Toca II

Alisson Guimarães

Foi em 7 de dezembro de 1966, também uma quarta-feira, que o Cruzeiro Esporte Clube botou de vez o futebol mineiro no mapa. Uma jovem equipe formada no início daquela década, que já ensaiava uma supremacia em Minas Gerais com os títulos consecutivos do campeonato estadual, conquistou o Brasil e o mundo com uma espetacular campanha na Taça Brasil, competição disputada por 22 clubes de 21 estados da federação, entre os meses de julho e dezembro daquele ano.

O Time do Povo venceu o campeonato de maneira invicta, inapelável e incontestável, confirmando seu primeiro triunfo – e também o do futebol mineiro – em nível nacional contra o poderoso Santos de Pelé, considerado por muitos, àquela altura, o melhor time de futebol do mundo.

Como bons mineiros, o time formado por jovens talentos como Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Natal e cia., e comandado de forma brilhante por Airton Moreira, foi eliminando de forma categórica seus adversários. Pelo caminho, ficaram o Americano-RJ, Grêmio-RS, Fluminense-RJ e o Santos-SP.

Na fase de oitavas de final da competição, o time estrelado aplicou duas goleadas sobre o Americano, de Campos. No Rio de Janeiro, vitória por 4 a 1, gols de Tostão, Natal, Zé Carlos e Evaldo. Na volta, no Mineirão, 6 a 1 para o Maior de Minas, com tentos anotados por Evaldo (2), Marco Antônio (2), Zé Carlos e Zé Alcindo (contra).

Já nas quartas de final, o adversário foi o Grêmio Porto-Alegrense. Na partida de ida, disputada na capital gaúcha, empate sem gols. Na volta, em Belo Horizonte, Marco Antônio e Tostão decretaram o 2 a 1 e a classificação para a fase seguinte.

Pela frente, na semifinal, o Cruzeiro enfrentou o Fluminense. Diferentemente das fases anteriores, a primeira partida aconteceu no Mineirão. Com cerca de 55 mil pessoas no Gigante da Pampulha, Evaldo abriu o placar antes da primeira volta do ponteiro e deu ao Clube a vantagem parcial no confronto. No jogo da volta, disputado no Maracanã, o atacante foi novamente decisivo e marcou duas vezes no 3 a 1 no campo do adversário. O outro gol celeste foi de Dalmar.

Naquele momento, o Brasil já estava ávido em saber mais sobre aquele Cruzeiro avassalador, que teria sua prova de fogo contra nada menos que o Santos de Pelé, Zito e Mengálvio, campeão das cinco edições anteriores. O jovem time celeste se consolidaria como a grande sensação do futebol nacional e daria fim à supremacia santista ou sucumbiria ao genial time paulista?

A resposta veio nos primeiros 45 minutos da decisão no Mineirão. Logo na etapa inicial, o Cruzeiro já vencia o Santos por 5 a 0, em jornada que deixou os quase 80 mil presentes no estádio atônitos. A partida, terminada em 6 a 2, contou com show de Dirceu Lopes, que marcou em três oportunidades, naquela partida em que o próprio considera a melhor de sua carreira. Natal, Tostão e Zé Carlos, contra, completaram o marcador.

Mesmo com o 6 a 2 em Belo Horizonte, ainda pairava a dúvida se aquele jogo teria sido atípico e esperava-se uma reação do Santos na partida de volta, no Pacaembu. Após abrir 2 a 0 no primeiro tempo, parecia que a equipe de Pelé havia equilibrado as ações no confronto. No entanto, o Maior de Minas mostrou que estava ali para cravar seu nome na história do futebol e aplicou uma épica virada em 3 a 2, com gols do temido trio formado por Tostão, Dirceu Lopes e Natal.

Ali, o futebol brasileiro voltava seus olhos para Minas Gerais. E, claro, graças ao Cruzeiro Esporte Clube. O mundo da bola se curvou ao talento de novos craques, que colaboraram para formar uma nova legião de torcedores daquele que se tornaria um dos esquadrões mais respeitados da história do futebol e um dos maiores clubes do mundo. 

Parabéns aos grandes campeões, ídolos eternos e à maior torcida de Minas pelos 50 anos desta grande conquista. Afinal, a história não mente e jamais vai mudar...

Confira a trajetória estrelada na épica conquista da Taça Brasil de 1966
Campanha: 8 jogos, sendo 7 vitórias e 1 empate
Gols marcados: 25; gols sofridos: 7
Aproveitamento: 87,5%
Média de gols: 3,13 por jogo

Artilharia
Evaldo – 6 gols
Dirceu Lopes e Tostão – 4 gols
Marco Antônio e Natal – 3 gols
Zé Carlos – 2 gols
Dalmar – 1 gol
* Contra – 2 gols

Fichas técnicas

Americano 0 x 4 Cruzeiro
Data: 7/9/1966, quarta-feira
Motivo: jogo de ida das oitavas de final
Local: Estádio Godofredo Cruz, em Campos-RJ
Público: 15.000 (estimado)
Renda: Cr$18.200.000
Juiz: Joaquim Gonçalves - MG
Gols: Tostão, 10,  Natal, 35 do 1º tempo; Zé Carlos, 2, Evaldo, 44 do 2º
Americano: Bocão (Dias), Joel, Zé Henrique, Marlindo e Zé Alcindo; Duca e Adalberto (César); Edinho, Gessi, Geraldo Brás e Paulo Roberto. Técnico: Professor José Damas
Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, William, Cláudio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes (Zé Carlos) e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira. Técnico: Aírton Moreira 

Cruzeiro 6 x 1 Americano
Data: 14/9/1966, quarta-feira
Motivo: jogo da volta das oitavas de final
Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Público: 6.531 pagantes, 7.000 presentes (estimado)
Renda: Cr$9.170.400
Juiz: Altamir Vieira – RJ
Gols: Evaldo, 6, Marco Antônio, 40 do 1º tempo; Marco Antônio, 9, Paulo Roberto, 14, Zé Carlos, 34, Evaldo, 41, Zé Alcindo (contra), 44 do 2º
Cruzeiro: Raul (Tonho), Ilton Chaves, William, Cláudio e Neco; Wilson Piazza e Zé Carlos; Natal, Evaldo, Marco Antônio e Hilton Oliveira. Técnico: Aírton Moreira
Americano: Dias, Budica, Zé Henrique, Marlindo e Zé Alcindo; Gilberto e César (Adalberto); Edinho, Gessi, Geraldo Brás e Paulo Roberto. Técnico: Professor José Damas.

Grêmio 0 x 0 Cruzeiro
Data: 9/10/1966, domingo
Motivo: jogo de ida das quartas de final
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público presente: 30.000 (estimado)
Renda: Cr$48.508.000
Juiz: Armando Marques – RJ
Grêmio: Arlindo, Altemir, Aírton, Áureo e Ortunho (Everaldo); Cléo e Sérgio Lopes; Vieira, João Severiano, Alcindo e Volmir. Técnico: Luiz Engelk
Cruzeiro: Raul Plassmann, Pedro Paulo, William, Cláudio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo Cruz e Hilton Oliveira. Técnico: Aírton Moreira 

Cruzeiro 2 x 1 Grêmio
Data: 23/10/1966, domingo
Motivo: jogo da volta das quartas de final
Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Público 38.455 pagantes, 50.000 presentes (estimado)
Renda: Cr$79.508.800
Juiz: Cláudio Magalhães – RJ
Gols: Vieira, 2, Marco Antônio, 4, e Tostão, de pênalti, aos 16 do 2º tempo
Cruzeiro: Raul Plassmann, Pedro Paulo, William, Cláudio e Ilton Chaves; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo Cruz (Marco Antônio) e Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira
Grêmio: Arlindo, Altemir, Airton, Áureo e Everaldo; Sérgio Lopes e Paíca; Vieira, João Severiano, Alcindo e Volmir. Técnico: Luiz Engelk

Cruzeiro 1 x 0 Fluminense
Data: 9/11/1966, quarta-feira
Motivo: jogo de ida da semifinal
Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Público: 55.000 presentes (estimado)
Renda: Cr$101.945.400
Juiz: Cláudio Magalhães – RJ
Gol: Evaldo, 30seg do 1º tempo
Cruzeiro: Raul Plassmann; Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo Cruz e Hilton Oliveira. Técnico: Aírton Moreira
Fluminense: Jorge Vitório; Oliveira, Caxias, Altair e Bauer; Denílson e Jardel (Roberto Pinto); Amoroso, Samarone, Mário e Lula. Técnico: Tim

Fluminense 1 x 3 Cruzeiro
Data: 23/11/1966, quarta-feira
Motivo: jogo de volta da semifinal
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro
Público pagante: 22.272
Renda: Cr$42.251.980
Juiz: Joaquim Gonçalves da Silva – MG
Gols: Evaldo,13, Dalmar, 27 do 1º tempo; Evaldo, 5, Piazza (contra), 44 do 2º – Fluminense: Jorge Vitório, Oliveira, Caxias, Altair e Bauer; Roberto Pinto, Jardel (Samarone) e Lula; Walmir, Jorge Luís e Gílson Nunes. Técnico: Tim
Cruzeiro: Raul Plassmann, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo Cruz e Dalmar (Wilson Almeida). Técnico: Airton Moreira
Cartões vermelhos: Samarone (Fluminense) e Procópio (Cruzeiro)

Cruzeiro 6 x 2 Santos
Data: 30/11/1966, quarta-feira
Motivo: jogo de ida da final
Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Público pagante: 77.325 –Público presente: 90.000 (estimado)
Renda: Cr$223.314.600
Juiz: Armando Marques – RJ
Gols: Zé Carlos (Santos, contra), Natal, Dirceu Lopes (2) e Tostão, no 1º tempo; Toninho (2) e Dirceu Lopes, no 2º tempo
Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira
Santos: Gilmar, Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos de Oliveira, Oberdan e Zé Carlos; Zito e Lima: Dorval, Toninho Guerreiro, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Cartões vermelhos: Procópio (Cruzeiro) e Pelé (Santos)

Santos 2 x 3 Cruzeiro
Data: 7/12/1966, quarta-feira
Motivo: jogo da volta da final
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo
Público presente: 30.000 (estimado)
Renda: Cr$65.142.000
Juiz: Armando Marques – RJ
Gols: Pelé e Toninho, no 1º tempo; Tostão, Dirceu Lopes e Natal, no 2º
Santos: Cláudio, Zé Carlos, Oberdan, Haroldo e Lima, Zito e Mengálvio, Amauri (Dorval), Toninho Guerreiro, Pelé e Edu. Técnico: Lula.
Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco, Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão, Natal, Evaldo e Hílton Oliveira. Técnico: Airton Moreira


Fotos: Acervo Cruzeiro / Divulgação

(Este material está liberado para reprodução. Os órgãos de imprensa devem citar o Site Oficial do Cruzeiro como a fonte da informação)